Discute-se hoje o tamanho de uma rede distribuída, até onde ela pode crescer.

 

Em geral quando nos preocupamos com o tamanho de uma rede (de uma rede propriamente dita, quer dizer, distribuída), estamos pensando em redes voluntariamente construídas e não na chamada rede-mãe (a rede que existe independentemente de nossos esforços conectivos).

 

Tomamos freqüentemente a perspectiva de quem quer ver uma rede voluntariamente articulada crescer. Mas crescer para que? Por que, por exemplo, uma rede distribuída de 50 pessoas precisaria crescer? Para fazer alguma coisa? Mas as redes não são para fazer coisa alguma: elas são simplesmente para ser. Elas são o que qualquer sociedade seria se não tivesse sido invadida por programas centralizadores.

 

Estamos falando de crescer, mas uma rede não “cresce” apenas aumentando seus nodos e sim também aumentando a sua conectividade (ou o seu grau de distribuição). Além disso, é possível que a rede “cresça” ainda em outro sentido: aumentando a “largura de banda” das suas conexões. Talvez a rede, além de crescer (mudança quantitativa), se desenvolva (mudança qualitativa). E talvez seja mais importante se desenvolver (quer dizer, promover mudanças regulacionais) do que propriamente crescer (em número de nodos). E, por último, talvez estejamos um pouco hipnotizados pelo fetiche do número (como os economistas; como se sabe a economics nasceu como uma “ciência do crescimento”).

 

Freqüentemente, também, nos preocupamos com as redes que param de crescer, mas as redes são móveis mesmo. Crescem até certo ponto, ou melhor, dentro de um certo tempo (o seu tempo) e depois tendem a diminuir ou até a desaparecer. Ora, se não estamos querendo usar a rede como um instrumento para fazer alguma coisa, qual o problema aqui? Só haverá problema se precisarmos da rede durante um tempo que não é o dela.

 

Ocorre que as redes voluntariamente construídas em torno de uma causa, de uma idéia, de um motivo contingente, são fenômenos restritos no tempo mesmo. No seu tempo, porém, elas podem fazer muitas coisas que não conseguimos ver. Cada rede mais distribuída do que seu universo-entorno que se forma, funciona como uma espécie de anti-virus em relação aos programas centralizadores que rodam nesse universo… Na medida em que mais redes distribuídas vão se formando é como se mais antivírus fossem rodando (e cada rede representa nessa metáfora uma nova edição de antivírus), mais e mais obstruções de fluxos, separações entre clusters e exclusões de nodos vão sendo desativadas. Mais mundo velho vai sendo substituído. Isso significa que a rede não existe para fazer qualquer mudança. Quando a rede existe, ela já é a mudança naquele mundo (estamos em um multiverso, não em um universo). Cada mundo distribuído é um mundo que tem validade em si, é uma experiência coletiva de vida, é a afirmação de uma nova identidade no mundo, é uma segunda criação naquilo que diz respeito ao seu âmbito local. O mundo distribuído é uma nova criação local.

 

Se tomarmos um conceito mais abrangente – e mais preciso – de local como cluster (abarcando não as localidades geográficas, mas as sócio-territorialidades ou comunidades), veremos que redes distribuídas são, na verdade, sempre redes locais.